A realidade do Rio

A folha de pagamento de janeiro de 2017, comparada à de dezembro de 2016, cresceu 0,04 %, devido a aumentos concedidos antecipadamente

Marcelo Crivella***, O Globo

Recebi a prefeitura com R$ 790 milhões em caixa, recursos do Tesouro. Mas as obrigações somavam R$ 1,1 bilhão. O ano de 2016 nos deixou, portanto, um déficit de mais de R$ 300 milhões.

Em 2017, o explosivo aumento do custeio, dos encargos da dívida e da folha de pessoal levaram as despesas a R$ 29,5 bilhões. A previsão de receita é de R$ 26,3 bilhões. O déficit é de R$ 3,2 bilhões.

A par disso, encontrei 132.541 solicitações pendentes na Saúde, sendo 47.533 cirurgias. E houve um aumento de 38% na demanda nos hospitais do município devido à crise do estado. Assim, outra coisa não me cabia, senão cortar despesas, tentar aumentar a arrecadação e negociar o pagamento dos empréstimos.

No primeiro dia de governo, por decreto, fiz o corte de 1.542 chefias e não me consta que nas últimas décadas tenha havido um prefeito com tão poucas secretarias. Reduzi de 28 para 12. Isso resultou numa economia anual de R$ 60 milhões. Mas, ainda assim, a folha de pagamento de janeiro de 2017, comparada à de dezembro de 2016, cresceu 0,04% devido a aumentos concedidos antecipadamente.

É preciso arrecadar mais. Dos 1,9 milhão de imóveis cadastrados, 1,1 milhão não pagam IPTU. É urgente rever isso, como também negociar o ISS, considerando a possibilidade de receber parte da dívida em serviços, como por exemplo em consulta, exame e cirurgia dos planos de saúde.

É tempo de fazer mais com menos. É preciso priorizar as pessoas, e a maior riqueza de alguém é sua saúde. Por isso, realizamos o primeiro mutirão nos hospitais. Foram 80 cirurgias no fim de semana, muitos há mais de um ano de espera. Cuidamos da organização das filas; parcerias com os hospitais federais; chamamento das filantrópicas; convocamos 500 enfermeiros para os hospitais da rede poderem maximizar a capacidade instalada de realizar cirurgias.

Na segurança, a Guarda Municipal, em parceria com a Polícia Militar, colocou mais agentes na orla, coibindo arrastões e furtos. A tarifa dos ônibus não subiu. Cortamos milhares de cargos de confiança para convocar dois mil professores e profissionais da área de saúde.

Mas não terei nenhum problema para explicar à opinião pública as dificuldades do governo. A população entende que governar é muitas vezes contrariar interesses quando eles se sobrepõem ao do coletivo.

Só lembro que, via de regra, os inconformados se utilizam da injúria, da calúnia e da difamação. Peço a todos compreensão e paciência.

Não se pode colocar em risco as finanças da cidade, das quais dependem 197 mil famílias de servidores, aposentados e quem precisa de serviços públicos de qualidade.

E claro que nem tudo no nosso passado são equívocos, nem tudo no futuro são incertezas. Estamos preparando diversas parcerias com a iniciativa privada que vão gerar milhares de empregos. Em breve, faremos um grande programa de regularização fundiária. Estamos também colocando para funcionar todas as clínicas da família e vamos cuidar de cada escola antes de construir novas unidades.

A crise é grande, mas não é maior, e nunca será, que a disposição inegociável de superá-la custe o que custar.

Rio de Janeiro na bancarrota (Foto: Arquivo Google)

***Marcelo Crivella é prefeito do Rio.

Artigo escrito com dados da controladora-geral do município, Márcia Andréa dos Santos Peres

REVISTA ÉPOCA, QUE PROCESSEI PORQUE MENTIU, FOI RÁPIDA EM ME ATACAR

1) A RAPIDEZ DO ATAQUE: A FÚRIA CONTIDA

Logo que a imprensa divulgou que o prefeito eleito Marcelo Crivella escolheu meu nome para ser Secretário de Conservação e Meio Ambiente, a revista Época foi rápida no gatilho (clique aqui e leia a matéria). Sim, no gatilho da sua máquina de destruir reputações usando mentiras e meias verdades, próprio da sua natureza e qualidade. Afinal, Lauro Jardim (clique aqui e leia a nota), do Jornal O Globo, saiu pela mesma linha, mas menos visceral. Ademais, têm o mesmo patrão que provavelmente rege esta orquestra. Lamento que o grupo O Globo, como fez no RJ TV, no dia 20/12, se esforce para me identificar como religioso, de forma preconceituosa, e evite falar de milhares de horas de estudos que tive nos diversos cursos que fiz. Eu apreciaria que os jornalistas que fazem isso, se referissem ao seu próprio nome citando também sua religião para que fossem coerentes.

Dizer que eu fui diretor financeiro e administrativo enquanto Sérgio Machado era presidente da Transpetro não me incomoda. Cumpri minha missão. Eu tinha minhas atribuições e as cumpria e ele tinha as dele. Cada um responde pelos seus atos. E isto está acontecendo. Se alguém espera que para me defender preciso citar alguém, deixo claro que meus atos expressos nos documentos que produzi respondem por si só. Minha vida responde por si só. Nada temo e sempre respondi e respondo a todas as acusações feitas por setores da  imprensa (sempre os mesmos, uma lástima), em acordo com criminosos que produzem informações falsas.

Com relação à indicação para o cargo de diretor da Transpetro, pelo que sei, fui indicado pelo vice-presidente José Alencar depois de ter minha tese de doutorado em Economia como uma das premiadas no Prêmio Tesouro Nacional. Não seria menos prestígio se fosse sugerido meu nome pelo senador Marcelo Crivella. Agora, prefeito eleito, ele deverá me nomear. Isto me orgulha muito. Independente de quem me nomeia ou de quem me indica, respondo pelos meus atos. Isso não parece razoável para vocês? A lei diz isso, sabiam?

2) POR QUE A REVISTA ÉPOCA FOI TÃO RÁPIDA EM SEU GATILHO PARA TENTAR ME JOGAR LAMA, MAIS UMA VEZ?

Em 2011, pus em suspeição um relatório da Auditoria da Petrobras. A mesma que não pôde enxergar os escândalos que o mundo assistiu. Na época, me foi sugerido que não levasse em conta porque os órgãos de controle já tinham conferido e as informações não eram relevantes etc. Assumi o compromisso de que ignoraria. Afinal, as mentiras não prosperaram.  Exatamente este relatório de auditoria suspeito foi parar aonde? Na Revista Época em uma matéria assinada pelo jornalista Diego Escosteguy em 2014 que, além de usar as inconsistências contidas nele, mentiu em outros aspectos: Clique aqui e leia

3) QUE PROVIDÊNCIA TOMEI?

Ingressei com ação criminal e cível contra o jornalista e contra a revista Época por conta da matéria publicada em 2014. O processo está correndo. Até hoje o Judiciário não conseguiu citar o jornalista para se apresentar em juízo para responder pelos seus atos. Se ele e a Época estão certos da matéria, por que não colaboram com o Ministério Público para que me cobrem do que eles alegaram? Mas não tem problema, as medidas estão sendo tomadas para que o jornalista e sua revista patroa se apresentem, preferencialmente, colocando como testemunhas os auditores que assinaram o tal relatório e outras fontes que tenham.

Sou o mais interessado na verdade e não estou vendo a Época colaborando para que esta verdade venha à tona em juízo.   Por que será que a Época não me procurou com as piores ou melhores perguntas que tivesse para sanar todas as dúvidas a meu respeito logo que fui destituído da Transpetro em 27 de março de 2015? Se acha que devo algo, por que não me cobrou? Teria se omitido?

4) O QUE A REVISTA ÉPOCA SABE MAS NÃO PUBLICA?

A) NÃO FUI CITADO NA LAVA-JATO. NUNCA RESPONDI E NEM RESPONDO A QUALQUER PROCESSO  por qualquer ato delituoso que tenha praticado ao longo de 28 anos no serviço público. Se eu fosse chamado a me explicar, teria a obrigação fazê-lo, como qualquer cidadão. Não me preocupo com isso. Agentes públicos têm a obrigação de esclarecer todos os seus atos para a sociedade. Explicar não é ofensivo para quem não deve.

B) MINHA EXPERIÊNCIA NO SERVIÇO PÚBLICO

– 10 anos no Exército: oficial na área combatente e tecnológica;

– 18 anos no Banco Central; e

– Durante estes 18 anos de Banco Central, exerci por 7 anos exerci o cargo de diretor  financeiro e administrativo da Transpetro (3/3/2018 a 27/3/2015). Quando fui destituído, publiquei “PRESTAÇÃO DE CONTAS DA MINHA GESTÃO COMO DIRETOR POR 7 ANOS NA TRANSPETRO Clique aqui e leia minha prestação de contas publicada à época.

5) “COINCIDÊNCIA” NA MINNHA DESTITUIÇÃO DA TRANSPETRO

Defendo que o Brasil deve adotar dinheiro virtual (digital) para acabar com a corrupção e crimes que envolvem dinheiro. Fui destituído do cargo 7 dias após desafiar corruptos a colocar dinheiro virtual (digital) na mala em debate no rádio. Nos dias seguintes, no andar da diretoria da Transpetro, ex-subordinados meus foram presos em uma sala e pressionados a passar informações a meu respeito, segundo eles. Estes ingressaram com ações trabalhistas e estão obtendo êxito.

O MPRJ, segundo a Revista Exame divulgou, abriu processo para apurar a prática de crimes de cárcere privado, tortura e constrangimento ilegal contra meus ex-subordinados. Nem praticando esta violência contra trabalhadores inocentes, provavelmente no afã de me atingir, obtiveram êxito em criar qualquer factóide que envolvesse meu nome.

Informações foram vazadas da Petrobras em matérias que faziam insinuações a meu respeito. Vim a público, esclareci e notifiquei o presidente da Petrobras e o diretor de  compliance para que se posicionassem sobre os vazamentos e fatos narrados. Como não fizeram, o caso está com meu advogado para a solução que o caso requer.

6) A PROPOSTA

Artigo que escrevi, em coautoria com Henrique Forno e Márcio Araujo,  sobre esta proposta do dinheiro virtual (digital) foi publicado no Jornal Folha de SP e no livro DESATANDO O NÓ DO BRASIL, dos mesmos autores. Recentemente, Keneth Rogoff, ex-economista chefe do FMI e professor de Harvard, publicou o livro “The curse of cash” defendendo a mesma coisa que nós autores: se o dinheiro digital for adotado eliminará crimes que envolvem dinheiro em espécie.

7) MINHA FORMAÇÃO

Doutorado em economia (UFF)
Mestrado em engenharia nuclear (IME)
Pós-graduação em auditoria e perícia contábil (UNESA)
Engenharia de fortificação e construção (civil) (IME)
Direito (UFRJ)
Bacharel em Ciências Militares (AMAN)

Curso de extensão no IME sobre meio ambiente e sobre petróleo no Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP).

Idiomas: inglês e espanhol

8) CONCLUSÃO

Os ataques que me fizerem serão respondidos. Sempre. Com franqueza e serenidade. Cidadãos e jornalistas honestos podem e devem me cobrar esclarecimentos quando houver qualquer dúvida acerca dos meus atos na vida pública. Se tivesse medo de me explicar, não participaria de programas radiofônicos e televisivos, ao vivo, com entrevistas e debates há anos, no Rio de Janeiro, outros estados e no exterior. Jornalistas covardes de órgãos de mídia de reputação duvidosa me citam sem me entrevistar, sem me ouvir. Com frequência.

Quanto ao mais, podemos ter a convicção tranquila de que nem todos os jornalistas e órgãos de imprensa são corruptos, assim como não os são todas as pessoas públicas. Mas é evidente que a sociedade já cansada de ser enganada, espoliada e manipulada por corruptos acumpliciados nestas categorias, deve mesmo ficar  atenta a estes dois grupos de profissionais com alta capacidade de influenciar e decidir, tanto para o mal, quanto para o bem. Há de fato veículos de mídia e jornalistas de alta reputação, qualidade e credibilidade, como há excelentes agentes públicos, mas há o oposto também nas duas classes. Os brasileiros devem estar atentos para que o crime não prevaleça usando os serviçais do mal presentes nestas e em outras categorias.

Com relação ao novo cargo que foi anunciado que eu seria nomeado na prefeitura  da Cidade do Rio de Janeiro, trabalharei com o mesmo empenho que apresento há 28 anos em todos os cargos e funções que exerci. Farei meu melhor, mesmo correndo o risco de que inescrupulosos e corruptos tentem mudar a realidade dos fatos para atender aos mais escusos interesses que mantém o Brasil há séculos prostrado em desgraças. Eles vivem desta miséria. Vou me esforçar muito para fazer jus à confiança do prefeito eleito Marcelo Crivella que tem uma carreira política exemplar, o que serviu de motivação para que eu me sentisse prestigiado em compor sua equipe.

Leia também sobre a mesma matéria da Revista Época:

JORNALISMO RUIM, escrito pelo juiz federal William Douglas: clique aqui

NOTA DE REPÚDIO CONTRA A ATITUDE DA REVISTA ÉPOCA, assinada por notáveis: clique aqui

* Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

A farsa da PEC do Teto: o que o governo e o Congresso não fazem e não falam – por Rubens Teixeira

A farsa da PEC do Teto: o que o governo e o Congresso não fazem e não falam – por Rubens Teixeira:

 

 * Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

É HORA DE O BRASIL APROVEITAR A DOR PARA MUDAR DE DIREÇÃO E MELHORAR: o sofrimento não pode ser em vão

 
Por Rubens Teixeira*
 
Impossível o brasileiro médio não entender porque há tanta miséria e desgraça no Brasil, mesmo sendo um país rico. Deste entendimento obtido nos últimos acontecimentos, fica claro que, em muitos casos, para ocupar cargos políticos importantes (ministros, secretários de governos etc.), um dos requisitos exigidos por alguns governantes é a desonestidade: alguém que “topa tudo pelo cargo”.
 
Quando um governante chama um desonesto ou despreparado para compor seu governo é porque quer, voluntariamente, correr o risco de práticas nocivas à sociedade. Se faz conscientemente, ou não age quando fica sabendo, sinaliza ser partícipe ou de alguma forma conivente com a promiscuidade do seu “escolhido”.
 
Por isso, a lição maior é que, para o Brasil mudar, o brasileiro precisa também mudar sua forma de ESCOLHER e COBRAR dos seus representantes. Para isso, necessariamente deve:
(1) não se omitir em política, em especial em período eleitoral;
(2) cobrar firmemente postura e esclarecimentos dos governantes e legisladores;
(3) não se deixar enganar por líderes oportunistas que apóiam corruptos e despreparados e desaparecem na hora mais dura da crise; e
(4) escolher bem seus representantes.
 
Se nem a dor ensinar é porque a racionalidade ou os valores já se deterioraram por completo. Mas parece que o sofrimento está ensinando ao brasileiro. Deve haver uma evolução positiva posterior a este momento difícil para muitos. Vamos aprender a lição de uma vez por todas. Só assim mudaremos o Brasil, fazendo suas riquezas serem usadas em favor do nosso povo. Dignidade é direito de todos, mas, por enquanto, alguns só a conhecem na retórica.
 * Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

FIM DE LINHA PARA CORRUPTOS E LADRÕES: DINHEIRO VIRTUAL (DIGITAL)


Por Rubens Teixeira *

O Brasil foi um dos últimos países do mundo a libertar os escravos e somente o fez por pressão internacional. O que foi feito com os escravos por aqui, após a “libertação”, os que sabem, se envergonham. Infelizmente, o Brasil, até hoje, vive diversas outras escravidões, como tenho apresentado em artigos neste blog (corrupção, juros altos etc). Em uma democracia corrompida, a corrupção patrocina todas essas demais formas de escravidão.

Em matéria publicada pela Revista Exame (link ao final desta matéria), é destacada a declaração de Cecilia Skingsley, vice-governadora do banco central da Suécia (o Riksbank), dada em entrevista para o Financial Times. A executiva afirmou que seu país é  pioneiro em soluções inovadoras para o sistema financeiro, pois “foi o primeiro a emitir papel moeda (em 1660) e a ter caixas eletrônicos (em 1967, dois anos antes dos Estados Unidos, segundo a Fast Company).”

No livro “Desatando o nó do Brasil: propostas para destravar a economia e travar a corrupção”, nós autores  (eu, Henrique Forno e Márcio Araujo) temos defendido que o Brasil deveria adotar dinheiro virtual (ou digital, ou eletrônico, ou qualquer outro nome que se queira dar). Com isso, se inviabilizaria a prática de crimes que envolvem dinheiro em espécie no Brasil, como assalto a banco, assalto a carro forte, saidinha de banco, explosão de caixa eletrônico, corrupção política, caixa 2, lavagem de dinheiro etc.).

Destaco que mais da metade das compras e vendas no comércio brasileiro já são feitas de forma eletrônica: através de cartão de crédito, débito ou por computador. Importante ressaltar que esta proposta nada tem a ver com “bitcoin” que, embora seja usada como um meio de pagamento, não é uma moeda fiduciária emitida por um banco central e de curso forçado em seus países, como real, dólar, etc. Tenho falado sobre isto no Brasil e no exterior, em palestras, entrevistas e textos (alguns links estão ao final deste texto).

A corrupção eleva políticos ladrões, corruptos, mafiosos e outras espécies ruins ao poder. Eles compram tudo e todos que estão à venda. A corrupção os mantém no poder sem serem julgados. A corrupção trava as instituições republicanas que devem agir em prol da justiça, do bem estar e do desenvolvimento. A corrupção faz com que pessoas preparadas sejam alijadas de oportunidades e despreparadas “corajosas” sejam elevadas a funções importantes para praticar todos os tipos de desvios em funções públicas, com o cinismo dos políticos que as indicam, seus aliados e cúmplices. Normalmente os padrinhos políticos se beneficiam.

A corrupção contribui para o avanço de vários outros crimes, como a violência, tráfico de drogas e armas, além de perpetuar a desigualdade, a injustiça e fomentar a degradação social.

A corrupção desvia recursos que poderiam ser empregados na estruturação de escolas, especialmente para os mais carentes e para os que vivem em área de risco dominadas pelo crime. Tira recursos que poderiam preservar a vida de pacientes que morrem sem socorro, sem diagnóstico, sem remédio e sem tratamento. A corrupção tira recursos do saneamento que poderia evitar doenças e melhorar a qualidade de vida de muita gente. A corrupção causa inúmeros e imensuráveis males.

A corrupção faz com que o Estado perca o controle de grandes áreas territoriais para grupos criminosos que não possuem, como o Estado, forças armadas organizadas com aviões de guerra, navios de guerra, carros de combate, canhões, morteiros, serviços de inteligência estruturados, com excelentes escolas de formação, além de polícias civil e militar, receita federal, banco central, ministério público, judiciário que pode autorizar escutas telefônicas, prisões etc. Embora instituições como as forças armadas, ministério público e outras possam ser menos afetadas pela corrupção, elas não conseguem neutralizar o efeito dos desvios cometidos por todos os corruptos que estiverem no poder se o país tiver altos índices de corrupção, como é o caso do Brasil.

Mas como fazer para acabar com a corrupção? A maior parte dela tem como moeda de troca o dinheiro. Boa parte em dinheiro vivo, em espécie, seja para apoio político (líderes dos mais diversos tipos de ambientes que se vendem), recursos sujos para campanha política, para enriquecer ilicitamente os beneficiários deste mal ou para garantir viagens e ostentações de políticos, seus aliados, etc.

O Ministério Público Federal, capitaneado por Curitiba, tem defendido a adoção das “10 Medidas Contra a Corrupção” que estão sendo debatidas no Congresso Nacional. Alguns senadores e deputados temem sua aprovação para que não se agrave as situações jurídicas de muitos deles. Parecem estar indo para o tudo ou nada: não querem aprovar estas medidas contra a corrupção, mas querem aprovar outras para conter os juízes e procuradores que devem agir para punir corruptos. Querem inclusive anistiar crimes praticados no passado. As “10 Medidas Contra a Corrupção” sugeridas pelo MPF, depois de obtidas as assinaturas necessárias, se tornaram projeto de lei de iniciativa popular que complica a vida dos corruptos e agrava as penas.

Adicionalmente a este esforço da sociedade, nós autores do livro “Desatando o nó do Brasil”, defendemos a adoção do dinheiro virtual para esterilizar a corrupção e crimes que envolvem dinheiro de uma vez por todas. Os índices de corrupção são altíssimos no Brasil. O aumento de pena é necessário, mas será mais efetivo se a prática do crime for inviabilizada. Do contrário, necessariamente e justificadamente, aumentará a população carcerária e seu custo, sobrecarregará o MP e Judiciário, e emperrará as instituições, que precisarão ser reforçadas. Embora por razões necessárias e plenamente justificáveis, isto encarecerá muito a máquina pública.

A adoção do dinheiro virtual, ou digital, evitará a prática do crime, ou seja, matará o mal no nascedouro. Suécia e Dinamarca, países desenvolvidos e pouco corruptos, mostrando por que têm bons resultados em desenvolvimento humano e econômico, saíram na frente. Enquanto isso, governantes e políticos brasileiros de um modo geral fingem não enxergar esta proposta que mudará nosso país de uma vez por todas, garantindo mais segurança aos cidadãos e inviabilizando a corrupção e outros crimes.

  • Matéria da Revista Exame, assinada por João Pedro Caleiro: “Suécia pode ser primeiro país a emitir moeda digital”clique aqui
  • Matéria da Revista Exame: “Papel Moeda tem que acabar, defende economista (Kenneth Rogoff, execonomista chefe do FMI e professor de Harvard)”clique aqui
  • Artigo de Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo no Jornal Folha de São Paulo em 30 de junho de 2015:  “Proposta para o Sistema de Pagamento brasileiro”: clique aqui
  • Entrevista de Rubens Teixeira na rádio BandNews sobre dinheiro virtual : clique aqui 
  • Entrevista de Rubens Teixeira na rádio Tupi sobre dinheiro virtual: clique aqui

 * Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

ELEITOR BRASILEIRO: só isso impede o Brasil ser potência

Por Rubens Teixeira*

A diferença entre boa parte do eleitor brasileiro e o do primeiro mundo é que o brasileiro usa muitas vezes o tema “combate à corrupção” de forma pragmática. Ou seja, usa o discurso anticorrupção de forma oportunista.

O eleitor brasileiro escolhe seus governantes e legisladores. As notícias mostram que no Brasil há corruptos, pelo menos, na maioria dos grandes grupos de poder (pelo menos porque prefiro ser ingênuo do que generalizar). Conhecidos ladrões ocupam espaços importantes nos governos e casas legislativas, mostrando a índole de governantes e legisladores: todos eleitos ou reeleitos.

Mas, boa parte das vezes, quando o corrupto é ideologicamente desalinhado com determinado eleitor, o tal brasileiro ataca a corrupção do seu desafeto. Quando é corrupto aliado à ideologia do eleitor, o brasileiro fica leniente com a corrupção do representante da sua ideologia. Finge que não vê.

No primeiro mundo, não prospera facilmente a ideia implícita de corrupto preferido, corrupto alinhado, malvado favorito, mal necessário etc. Esses argumentos prosperam em uma sociedade corrupta e desonesta intelectualmente.

Isso perpetua a desigualdade, a destruição, a violência, a roubalheira e o baixo nível de desenvolvimento. O Brasil tem tudo para ser potência, basta que a maioria do povo brasileiro se comporte como povo de uma potência.

Combate à corrupção não admite pragmatismos. Todos devem, de fato, aderir à ideologia anticorrupção e combater os desvios entre seus próprios aliados ideológicos, filosóficos, religiosos, corporativos etc. Do contrário, o Brasil continuará um país rico, mas roubado com a conivência de um povo que despreza seu futuro e das próximas  gerações, mas sempre capaz de explicar suas tragédias com “bons” argumentos evasivos e, muitas vezes, intelectualmente corrupto.

* Rubens Teixeira é analista do Banco Central do Brasil, ex-diretor financeiro e administrativo da Transpetro, professor, escritor e palestrante. Doutor em Economiaimage (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de fortificação e construção (IME), formado em Direito (UFRJ, aprovado na OAB-RJ), bacharel em Ciências Militares (AMAN). Foi um dos ganhadores do Prêmio Tesouro Nacional com trabalho baseado em sua tese de doutorado intitulado: “A Importância da Credibilidade para o Equilíbrio Fiscal: uma avaliação para o caso brasileiro”. É coautor do best seller “As 25 Leis Bíblicas do Sucesso” e do “DESATANDO O NÓ DO BRASIL: propostas para destravar a economia e travar a corrupção.”

MENSAGEM AOS ELEITORES DE CRIVELLA E FREIXO (Mas que serve a todos os eleitores do Brasil)

Por Rubens Teixeira*

Meu candidato a prefeito, Marcelo Crivella, ganhou as eleições. Mas registro meu respeito aos eleitores de Marcelo Freixo, pessoas que muito provavelmente pensam diferente de mim sobre alguns temas. Vamos continuar discordando em muitas coisas, mas mantendo o diálogo franco e em bom nível.

Devo respeito a vocês não só porque sou cidadão brasileiro e vivo em uma democracia, mas também porque sou um cristão. A Bíblia me ensina a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo. Não debocharia de quem amo.

Devo dizer que a maioria dos cristãos que conheço não sofrem de desequilíbrio, ódio ou revolta que possa ser motivo de agressão, deboche ou desrespeito a vocês. Estes comportamentos agressivos e desrespeitosos continuados não são aceitos sob quaisquer ótica: científica, social, religiosa ou política.

Reprovo os comportamentos mal educados e oportunistas de todos os lados. Eles mancham o lado que dizem defender e o fazem, na maioria das vezes, em benefício próprio (comercial, político etc). Tenho esperança que Crivella fará um governo bom para todos os moradores da Cidade do Rio de Janeiro longe deste tipo de influência malévola.

* Rubens Teixeira é analista do Banco Central, escritor, palestrante e radialista.

Meia verdade sobre os juros que a mídia “inocente” vende para o “generoso” cidadão “comum” 

Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo *

O Comitê de Política Monetária (COPOM), que na verdade é composto pela Diretoria do Banco Central, reduziu a taxa de juros SELIC de 14,25% para 14%. Renomadas mídias estão divulgando que isto gerará redução na taxa de juros ao consumidor.

Conforme explicamos no livro DESATANDO O NÓ DO BRASIL, o que provocaria a queda acentuada na taxa de juros ao consumidor seria a redução, também por parte do Banco Central, da taxa de recolhimento de depósito compulsório sobre os recursos à vista.

Mas o que é isto? Essa taxa representa um montante em dinheiro sobre todos os depósitos em conta corrente feitos nos bancos comerciais pelos correntistas. Esse montante é retido pelo Banco Central e não está disponível para empréstimo por parte desses bancos.

Nos EUA, por lei, o depósito compulsório deve ficar entre 7% e 22% estando, na prática, por volta de 10%, enquanto que na China essa taxa está em 17,5% para os maiores bancos. No Brasil, a taxa de recolhimento de depósito compulsório está em está em 45%, ou seja, cerca de três a quatro vezes maior que a dos países citados!

Pouco se fala no que seria de fato a libertação dos brasileiros da escravidão de juros extorsivos. Na verdade, os bancos ganham muito do governo com a SELIC alta e ganham muito do cidadão com os juros ao consumidor alto.

Assim, tudo sai do bolso do cidadão, pois o Governo paga os juros da dívida com base na SELIC. Esse pagamento de juros é feito com recursos do Tesouro Nacional, oriundos dos impostos altíssimos pagos pelos cidadãos. Ou seja, ficou claro porque, mesmo na crise, o lucro dos bancos é generoso?

* Rubens Teixeira é doutor em Economia pela UFF, mestre em Engenharia Nuclear pelo IME, com graduações em Engenharia de Fortificação e Construção pelo IME e em Direito pela UFRJ. Ganhou os prêmios Tesouro Nacional com sua tese de doutorado em Economia e Paulo Roberto de Castro com sua monografia de Direito. É Analista do Banco imageCentral do Brasil, ex-diretor Financeiro e Administrativo da Transpetro, além de escritor, professor universitário, palestrante e radialista.

* Henrique Forno é doutor em Economia pela EPGE/FGV com graduação em Engenharia de Fortificação e Construção pelo IME. Sua atuação lhe rendeu premiações como o BBM 2003 e Comissões Regionais de Obra do Exército. É Analista do Banco Central do Brasil, professor universitário e ex-assessor parlamentar no Senado Federal.

* Márcio Araujo é doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ e Engenheiro Civil pela UFRJ. É Analista do Banco Central do Brasil, onde participa de estudos voltados para o desenvolvimento do mercado doméstico de títulos públicos. Possui, também, atuação sindical na qualidade de Diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal).