Mundo corre do mosquito: EUA dão a largada e pode esvaziar Olimpíadas do RJ

Como medida preventiva contra o Zica Vírus, o Comitê Olímpico dos EUA abriu a possibilidade de os atletas e membros de comissão técnica não virem às Olimpíadas do Rio de Janeiro. Os EUA são um país que possui atletas de alta performance e esta decisão pode retirar o brilho do evento, especialmente se copiada por outros países.

Por conta da epidemia da doença conhecida como febre Zica, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos sugeriu a descriminalização do aborto em caso de microcefalia provocada pelo vírus em gestantes infectadas. Uma medida espartana-nazista. Assim, entre tentar uma medalha e correr o risco de contaminar seu país e ser vetor da destruição da saúde e da vida de futuros bebês, o lado preventivo dos atletas pode falar mais alto.

O Rio de Janeiro, cidade-sede das olimpíadas, com o evento, receberá pessoas de várias partes do mundo. Uma excelente oportunidade para o mosquito aedes aegypti, vetor do vírus da Zica, da Dengue, da Chikungunya, da Febre Amarela e de outras doenças provocar uma pandemia sem sair daqui.

Nossas autoridades são competentes para enganar muita gente no mundo. Enganam até mesmo os brasileiros, principalmente, mas não só, em períodos eleitorais. Os que conhecem os serviços públicos de saúde daqui jamais serão enganados: se nosso sistema de saúde não dá conta de atender nosso povo, o que faremos com um milhão de pessoas a mais na cidade?

Vamos aguardar!

Como proceder com crianças com suspeita de microcefalia

RUBENS TEIXEIRA

As crianças com suspeitas de mocrocefalia, que nasceram com perímetro cefálico de no máximo 32 centímetros (não mais 33 centímetros), devem fazer exames especializados para diagnosticar se de fato sofrem desta má-formação. O diagnóstico é importante para se dar o tratamento adequado às crianças e minimizar os impactos ao longo do desenvolvimento delas. Isso permitirá  melhor qualidade de vida a seres humanos que, como todos, precisam ser ajudados em tudo no início de suas vidas.

Há relatos de pais que não levam seus filhos para o diagnóstico de confirmação da suspeita de microcefalia. A consequência é que as crianças eventualmente afetadas não terão um acompanhamento adequado e sofrerão de forma mais intensa para superar as dificuldades impostas por esta má-formação. Muitas mães deixam de levar seus filhos por falta de informação –  a má-formação nem sempre é perceptível com facilidade-, baixo nível cultural, falta de condições financeiras etc. Cabe a todos nós apoiar estas pessoas que precisam de orientação e ajuda.

As crianças com microcefalia podem ter consequências como déficit intelectual, atraso mental, paralisia, convulsões, eplepsia, autismo e rigidez dos músculos. Há medidas tomadas por profissionais de saúde para reduzir os sintomas da doença. Como todas as pessoas que estão doentes, elas tem o direito de viver com qualidade de vida e precisam de tratamento adequado, apoio, respeito e dignidade. São tão bem vindas ao mundo como todos nós.

Observação: 13 grávidas infectadas com o virus da zika em El Salvador não nasceram com microcefalia: LEIA AQUI

O brasileiro precisa de grandeza…

RUBENS TEIXEIRA

  • O brasileiro precisa de grandeza para separar o que é crise econômica de corrupção política…
  • O brasileiro precisa de grandeza para saber que a única forma de se enriquecer como político é sendo corrupto…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que um grupo de ladrões, mesmo se fazem algum bem, são ladrões e o mal que fazem é maior do que o bem que podem fazer, como a história da humanidade demonstra…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que não há como se fazer uma administração honesta e eficiente, que permita ter esperança, com corruptos…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que honestos não dão poder para corruptos, não os preservam e nem os trazem para perto…
  • O brasileiro precisa de grandeza para perceber que quando há alguém sabidamente desonesto, mas é preservado, em um governo, partido, igreja, sindicato, ou qualquer outra organização então aquele grupo, muito provavelmente, é desonesto…Mapa Brasil com bandeira
  • O brasileiro precisa de grandeza para exigir que se afastem do poder suspeitos, sobrecarregados de indícios, que dão explicações esfarrapadas e se mantém em seus cargos e funções…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que a corrupção prejudica grandemente a economia, porque ninguém quer colocar seu dinheiro em um país em que se desvia grandes quantidades de recursos públicos, além de ter uma carga tributária gigantesca, juros elevadíssimos, burocracia arcaica e outros desajustes que, no conjunto, favorecem o fortalecimento e a continuidade da corrupção e o desperdício de recursos públicos…
  • O brasileiro precisa de grandeza para saber que seu país só será grande quando ele expurgar para longe as pessoas de mau caráter no trabalho, nas organizações, na política e não se aliar a elas por nada…
  • O brasileiro precisa de grandeza para escolher melhor seus representantes e cobrar deles, permanentemente, explicações e prestação de contas…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que às vezes não é o político corrupto que o enganou, mas o seu líder corrupto, seja ele religioso, sindical, ou outro qualquer, e parar de acreditar em malandros que induzem ao voto em corruptos e, depois, somem na época da desgraça social em hospitais, desemprego, violência etc…
  • O brasileiro precisa de grandeza para identificar se seus líderes foram inocentes ou vítimas ao induzi-los ao voto em corruptos, cobrando-os esclarecimentos e dando-lhes o direito de responderem, com toda clareza, acerca disso e dizerem se mantêm apoio ao corrupto ou exigirão dele esclarecimento…
  • O brasileiro precisa de grandeza para saber que a Constituição Federal diz que todo poder emana do povo e ele não pode delegá-lo e nem deixar na mão de corruptos…
  • O brasileiro precisa de grandeza, como tiveram outros povos, que expurgaram a corrupção de suas vidas e de suas sociedades e, por isso, não sofrem os danos causados pelas mazelas que destroem a reputação, as oportunidades e  as perspectivas dos seus países…
  • O brasileiro precisa de grandeza para valorizar a meritocracia, os bons exemplos, prestigiar o certo e repudiar o errado…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que, dentro dos procedimentos previstos no ordenamento jurídico brasileiro, ele coloca e retira um mandatário do poder, a qualquer tempo, se ele infringir a lei, porque a Constituição diz que todo poder emana do povo e que todos são iguais perante a lei. Ninguém tem licença para roubar…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que quem deu golpe na Constituição e nas leis não pode alegar que é vítima de golpe ao ser cobrado…
  • O brasileiro precisa de grandeza para entender que o Brasil só terá grandeza quando seu povo tiver…
  • Não posso exigir grandeza de alguns políticos que pedem grandeza ao povo brasileiro porque seria desqualificar o adjetivo, mas devo exigir deles que não tentem me fazer de idiota, nem aos demais brasileiros. Não peçam nada antes de explicar como se enriqueceram, conseguiram campanha ricas e cometeram outras grosserias que fizeram com que o Brasil possua uma imagem equiparada aos países mais corruptos do mundo, além de perder credibilidade. Essa desgraça na imagem do Brasil não foi causada pela crise econômica. É mentira afirmar isso: foi a corrupção e a má gestão!

Brasileiros, pensem nisso!

Outra barragem se rompe… Na sua cidade tem uma?

RUBENS TEIXEIRA

Segundo o Jornal O Estado de S. Paulo, em 6 de fevereiro de 2016: “O acidente foi causado pelo armazenamento irregular de rejeitos da mineradora Rolando Comércio de Areia […]  O acidente aconteceu na manhã de sexta-feira, enquanto a empresa mineradora fazia a extração de areia no Rio Paraíba do Sul. Os rejeitos estavam sendo depositados irregularmente em uma lagoa de outra mineradora que está com as atividades paradas enquanto aguarda autorização ambiental.

Mais uma tragédia, não bastasse a de Mariana  que trouxe à tona não apenas mortes, lama, danos irreparáveis ao meio ambiente e à saúde de muita gente, mas também o pior corrosivo que pode existir em um país: a corrupção. Temos excelentes centros de engenharia no país que poderiam, de forma barata, atestar os riscos e correto funcionamento destas estruturas. Os governos federal, estadual e municipal poderiam também contratar fiscais tecnicamente preparados para fazerem esta verificação.

Os danos não são mensuráveis facilmente e, a meu ver, não são colocados de forma clara para a sociedade. Metais pesados são muito danosos à saúde e podem causar diversas doenças ao longo de muitos anos. O espalhamento de tanta lama, especialmente por regiões povoadas por pessoas de baixo nível cultural e de informação, causará algum dano desprezível? Claro que não. Até mesmo os que consumirão os pescados retirados do mar poderão consumir estes metais alojados nos organismos dos frutos do mar. O risco não é nada simples de ser debelado.

No caso de Mariana, e cidades afetadas, está tudo muito evidente: os excessos das empresas e o descaso dos governos. Os órgãos ambientais aplicam multas milionárias, mas as empresas multadas recorrem e não é incomum terem êxito bastante vantajoso. Pagam muito pouco, ou nada. Agora, na sexta feira de carnaval, outra barragem se rompe no Vale do Paraíba, rio que abastece boa parte dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Por que atividades de tanto impacto e visibilidade são tão frequentemente realizadas sem controle por estas mineradoras? Porque as autoridades são omissas. As autoridades são lenientes porque a sociedade também é. Respeito, quando não nos é dado por iniciativa de quem quer que seja, só o teremos se nos impusermos. O povo tem força, mas, na maioria das vezes, não se impõe. Aceita tudo, e, por vezes, muitos fazem parte da farra contra si e contra a sua própria família: vendendo voto e outras coisas do mesmo nível da lama que escorre quando ocorrem os rompimentos de barragens.

Do contrário, todos os afetados pela falta d´água, contaminação, ou por se sentirem ultrajados pelos danos ao meio ambiente, se manifestariam na porta dos gabinetes das autoridades e nas redes sociais. O povo obrigaria os políticos a respeitá-lo. Eles se escondem quando estão impopulares porque sabem que o povo tem um poder enorme. São tão convencidos da ignorância popular que quando são cobrados com a dureza que merecem e enquadrados na hipótese de perda de mandato por irregularidades ou prática de crimes, depois de golpearem as leis e a sociedade, chamam a aplicação da lei de golpe, mas não colocam as coisas em pratos limpos. Salvam-se pela articulação política, muitas vezes com acordos com políticos de mesma classificação que eles: com fartas evidências das práticas dos mesmos crimes.

Faltou dizer:  são centenas de barragens pelo país. Na sua cidade tem uma? Qual o risco real de se romper?  Lá tem políticos corruptos? Então cuidado para que ela não seja a próxima!

Pense nisso! Vamos mudar nosso país só nas eleições, ou desde já?

Mudanças no Brasil: só nas eleições ou agora?

RUBENS TEIXEIRA

O país viveu duas décadas governado por militares. Nesta época, chamada de forma enérgica por muitos de ditadura militar, pelo que se tem conhecimento, os presidentes do país não se enriqueceram no poder e nem seus familiares, diferente de muitos ditadores de diversos países que, nos dias de hoje, enriqueceram com seus familiares, mesmo que seus povos, em grande parte, vivam na miséria. Ao contrário destes ditadores de hoje, alguns apreciados e aliados de importantes políticos brasileiros, os governantes militares do Brasil saíram da presidência do país em patamar financeiro análogo ao que entraram.

Quando o Brasil era governado por militares, várias personalidades da política brasileira se insurgiram contra aquele modelo de governo e levaram a sociedade a cobrar eleições diretas para presidente da República, o que de fato era importante se fazer. O presidente general Figueiredo atendeu a demanda e fez a parte dele para que o Brasil voltasse a ter um presidente eleito nas urnas. Uma grande vitória para o país.

Muita gente reclamou que houve mortos e torturados por alguns militares em quartéis. Dizem que algumas pessoas eram inocentes e outras membros de grupos terroristas. Claro que ninguém aprecia tortura ou morte de culpados, muito menos de inocente. Aqui não tem pena de morte em tempo de paz. Nesta época, uma grande parte da sociedade brasileira, que não fazia parte de grupos armados, ou mesmo não eram considerados suspeitos de querer implantar, à força, o comunismo no Brasil, sentia-se segura. Este grupo de pessoas e seus descendentes identificam uma piora substancial na segurança do cidadão brasileiro. Muito mais pessoas morrem hoje em decorrência de crimes com armas de fogo do que morria naquela época. O Brasil tem hoje estatísticas de mortes superiores a muitas guerras importantes no mundo: morrem civis e agentes de segurança em serviço. Há uma enorme crise de autoridade. Isso não interessa a ninguém.

Na democracia, construída por aqui, políticos enriqueceram no exercício dos seus mandatos, apresentam explicações estapafúrdias para justificar como eles e seus parentes enriqueceram e como choveu dinheiro em suas campanhas etc. A infraestrutura do país deixou de se expandir como deveria, a violência aumentou e os serviços de educação e saúde degeneraram. Doenças erradicadas no passado voltaram a ser ameaças no presente.

Os políticos não fazem nenhum favor ao prestar contas, esclarecer de forma verdadeira no que são questionados e explicar porque não conseguiram resolver alguma demanda social. Se não estiverem dispostos a isso, devem pedir desculpas por terem enganado na campanha eleitoral e dar o lugar para outro. Muitos brasileiros estão perdendo empregos, outros sem receber salários, outros sem atendimento em hospitais e com ensino precário em escolas. Enquanto isso, importantes personalidades deste país brincam com a dignidade da sociedade fingindo que são inocentes, quando o sangue da miséria dos brasileiros está nas suas mãos, seja por suas ações ou omissões. Está na hora de os políticos irem para a rua dizerem a que vieram, o que pensam e de que lado estão.

Como o nosso país pode ser tão rico e cheio de desgraças? A solução é voltar o governo militar e acabar com as eleições diretas? Claro que não! Nem os militares querem isso. A solução é a sociedade ser honesta e cuidadosa quando votar e, diariamente, cobrar com a energia necessária que os políticos resolvam os problemas que seus erros, suas omissões, suas irresponsabilidades, suas cumplicidades causaram ao país e a sociedade. Não é esperar a próxima eleição para ser enganado de novo, caso alguém se sinta assim: cobre duramente dos políticos e eles entenderão que, se quiser um mandato, ou se manter nele, vão ter de prestar contas diariamente do que fazem ou terão de sair de onde estão se não estiverem dispostos a trabalhar de forma honesta, transparente e intensa. O Brasil é de todos os brasileiros e tem jeito: teremos um país melhor se fizermos a nossa parte e exigirmos de cada um que faça a sua, em especial àqueles que prometeram que iriam melhorar a vida do povo: os políticos.

Pense nisso! Vamos mudar nosso país só nas eleições, ou desde já?

Grande corrupção veredas: guinada à esquerda ou embicada para baixo?

(Artigo publicado no “Fórum dos Leitores” do jornal “O Estado de S.Paulo”)

RUBENS TEIXEIRA*

Com fim do governo militar no Brasil, a grande “receita do bolo” para corrigir todos os problemas decorrentes das decisões políticas “injustas” era fazer um movimento da direita para a esquerda. Quando estudamos Matemática, orientamos o sentido positivo “das ordenadas” debaixo para cima. O sentido positivo das “abscissas”, da esquerda para a direita. Portanto, andar da direita para a esquerda num eixo matemático é andar para trás. Na política, andar para trás é ser um país naufragado na economia, na corrupção e miséria do seu povo, sendo o governo de direita ou de esquerda.

Não é novidade que os modelos matemáticos da Física sejam usados como inspiração para modelar a Economia, por exemplo. Há evidentemente outrosO Exército e a OAB em tempos de verdades: a democracia e a hipocrisia conceitos da Física que também são empregados na política e em outras ciências sociais.

No discurso político da esquerda, sempre atribuíram juros altos, desemprego, corrupção e desvios a comportamentos e políticas de direita. É um esforço de associar quem se define como de direita a uma pessoa desonesta, injusta e corrupta, enquanto o de esquerda é o ser honesto, justo e bom. Evidentemente que esses limites e termos são muito usados para enrolar o povo.

Por exemplo, os médicos e engenheiros que lidam, respectivamente, com vidas humanas e estruturas projetadas baseadas em cálculos matemáticos têm limites mais bem estabelecidos da técnica e não se permitem esses subterfúgios para enrolar seus pacientes e clientes alegando que os erros e acertos técnicos foram por conta de escolhas de direita ou de esquerda. Se, na prática, existem realmente esses lados, é bom que ajam tecnicamente porque a ciência não permite muitos devaneios.

Na política brasileira, diz-se que estamos caminhando para a esquerda há alguns anos. Em meio à crise por que passa o País, a imprensa noticiou que o governo se reuniu para discutir medidas que possam dar uma “guinada mais à esquerda”. Protagonistas da política de esquerda se envolveram em roubos ao dinheiro público, estabelecimento de esquemas complexos de corrupção e destruição de valores sociais. Alguns foram presos e outros defendem ideias que fragilizam a educação de crianças e adolescentes. Querem impor seus valores em detrimento do que prefere a maioria da sociedade brasileira.

Querem alterar e omitir informações históricas dos currículos, direcionar o pensamento das crianças e jovens torcendo e omitindo a realidade histórica numa mentira instituída no Plano Nacional de Educação. Por outro lado, com boa vontade, tomando como premissa as boas intenções e a honestidade dos que fazem parte deste projeto de poder, sabemos que muitos dos obreiros que o construiu foram considerados criminosos durante o governo militar, que eles chamam, com firmeza, de ditadura. Da mesma forma, cometeram crimes e foram condenados também na democracia no modelo que eles próprios criaram. Tudo bem, eu reconheço que os crimes praticados durante os governos militares foram anistiados para ambos os lados. Bom que tenha sido assim, para unir o Brasil. Agora, o que dizer dos crimes praticados neste modelo de “democracia”?

Além disso, ao invés de ameaçar cortar recursos da Polícia Federal, que se reforçassem os recursos destinados à Operação Lava Jato. Ao invés de trazer para perto grupos políticos de baixíssima reputação, alguns cujos seus ícones respondem a inúmeros processos e sob os quais pairam enormes suspeitas, que se prestigiassem técnicos honestos para as funções, mesmo que se para isso aumentasse o risco do impeachment do seu mandato. Esse gesto inviabilizaria a mácula na sua imagem histórica de honesta. É melhor para o Brasil que se corra o risco de sofrer um impeachment, colocando pessoas honestas nos diversos escalões do governo, do que se articular com desonestos para manter-se no poder.

É verdade que, numa disputa entre os da direita e os da esquerda no Brasil, ambos os lados possuem muitos desonestos e provocaram rombos de natureza idêntica. Será que a sociedade admitiria uma pauta que buscasse apenas dimensionar qual o lado provocou o maior rombo? Se é verdade que temos um projeto que trouxe benefícios, está claro que ele está no final de seu ciclo, e de forma dramática. De fato, se foi para esse cenário que a esquerda nos levou, uma guinada mais à esquerda, como pretende o partido da presidente, vai nos levar para onde? Por isso, ao invés desse discurso de esquerda e de direita, vamos construir um Brasil que vá para a frente de verdade, tomando as medidas tecnicamente corretas, expurgando de verdade a corrupção e valorizando os interesses nacionais, sua gente e suas riquezas.

Enfim, o que fazer com o mandato de uma presidente que é tida por honesta, mas que pode ter sido eleita e reeleita com recursos obtidos de forma escandalosamente desonesta? Por honestidade, ela poderia dar uma demonstração de grandeza e bradar ao País: “Todos os mandatários eleitos pelo povo com campanhas que estejam sob suspeita de terem obtido recursos de forma desonesta devem ser submetidos a uma reavaliação popular. Eu serei a primeira a propor, por não ser cúmplice do que pode ter sido feito na minha campanha. Nossos mandatos estão sob suspeita, moralmente sob judicie e temos de nos submeter às urnas outra vez. Eu, como brasileira e presidente da República, peço ao Congresso Nacional, que tem a competência constitucional para tal, que convoque um referendo aos mandatos de todos os políticos eleitos em 2010, 2012 e 2014. O povo brasileiro, de quem emana todo o poder, agora, conhecedor das circunstâncias que podem ter cercado as nossas campanhas eleitorais, tem o direito de dizer se nos quer no mandato ou prefere outros em nosso lugar. É o mínimo que podemos fazer para mostrar à nação que não somos corruptos e nem cúmplices da corrupção: pedir desculpas e colocar nosso mandato à disposição de quem nos conferiu”.

Este gesto mostraria desapego ao cargo, desprendimento, amor ao Brasil e a colocaria em sintonia com o que o povo quer saber: quem é o ladrão e onde está o dinheiro. Não adianta tentar guinada à esquerda quando o Brasil está embicando para baixo. Se a nossa vereda continuar assim, pavimentada pelos frágeis valores e dominada pela corrupção, o final da trajetória já se sabe e pode ser pior do que esperamos.

Presidente, crise política se resolve politicamente. Se a senhora conseguir resolvê-la, o Brasil embica para cima outra vez. Se a senhora não conseguir, são mais de 200 milhões de brasileiros neste voo. Qual seria a melhor alternativa para livrá-los dos impactos que essa queda já está lhes causando?

Pense nisso! Vamos mudar nosso país só nas eleições, ou desde já?

Sistema Petrobras: Vale a pena vender ativos estratégicos?

Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo*

Artigo publicado no jornal Nação Brasil

A decisão de investimento em qualquer setor da economia requer cuidadosos estudos de cenários econômicos para as condições de oferta e demanda no horizonte de tempo considerado, além de uma razoável dose de coragem.

Entre esses cenários, vários incluem o petróleo como matéria-prima e recurso energético predominante da economia mundial nas próximas décadas. Essa tendência, no longo prazo, pode ser questionada pela entrada de energias alternativas como a eólica e a solar, consideradas por alguns como mais limpas, mas que estão ainda a preços não muito competitivos, não devendo ameaçar tão cedo o domínio dos hidrocarbonetos, considerados fonte mais baratas mas muito poluidora.

O preço do petróleo e de seus derivados variam em função do nível da atividade econômica e da inovação tecnológica, tanto na exploração, produção, refino e logística. A logística do setor petróleo, por sua vez, é fator preponderante na sua gestão. Dados os grandes volumes e distâncias de fluidos transportados, ela influi de forma importante na formação de preço da matéria prima e seus derivados.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, desprestigiar a logística do petróleo é inviabilizar o desenvolvimento nacional, prejudicar o consumidor e a sociedade. O controle não apenas das reservas e produção, mas também do seu transporte e distribuição reveste-se de caráter estratégico.

Atualmente, o mercado do petróleo em todo o mundo está em baixa. São vários fatores que influenciam esse cenário. A tecnologia que permitiu a produção em larga escala do gás de xisto (shale gas) pelos EUA, junto com o desaquecimento da economia internacional e a decisão de reduzir o preço do petróleo, tomada pela OPEP, fez o preço do barril do petróleo cair. Por outro lado, as denúncias de mau uso dos recursos na Petrobras, associadas ao desaquecimento da economia brasileira, contribuíram para a desvalorização das ações daquela empresa.

Nessa conjuntura, uma eventual decisão de alienação de parte da infraestrutura de transporte do sistema Petrobras, essencial na cadeia produtiva do petróleo, adquire um caráter preocupante, por ser excessivamente focado no curto prazo e baseado em lógica mais financeira do que econômico-estratégica. Um processo de desinvestimento sem o devido cuidado com a inserção de longo prazo da empresa pode trazer graves prejuízos ao Brasil.

No atual contexto de aparente subvaloração dos papéis da Petrobras, parece ser no mínimo inoportuno alienar ativos essenciais na lógica operacional da empresa. Em um processo de desinvestimento desse tipo, pode-se atingir de forma mortal não apenas o futuro da empresa, mas, também, a estratégia de inserção internacional do país. Como exemplo, a venda do sistema de transporte por dutos fornece ao comprador praticamente o monopólio dos preços a longas distâncias no território nacional, especialmente para as áreas fora dos trajetos de navios.

A sociedade brasileira, dona majoritária do Sistema Petrobras, precisa ser protegida de decisões discricionárias que parecem resolver o problema de caixa presente, mas que podem causar prejuízos muito maiores no futuro. O gestor que faz um mau negócio tem seguro para cobrir suas decisões ruins, se não houver má fé. Porém, a sociedade não tem nenhum seguro contra um prejuízo amargo e duradouro.

* Rubens Teixeira, Henrique Forno e Márcio Araujo são doutores em economia, engenheiros e analistas do Banco Central do Brasil. São autores do livro “Desatando o nó do crescimento econômico: propostas econômicas e jurídicas para o sistema financeiro nacional”. As opiniões colocadas pelos autores deste artigo não expressam o ponto de vista da instituição a qual eles estão vinculados.

* O primeiro autor é ex-diretor da Transpetro

Como acabar com a corrupção na política do Brasil

Rubens Teixeira e William Douglas *

Publicado no Jornal O Estado de S. Paulo (Estadão)

O juiz federal Sérgio Moro diz que, para pegar os corruptos, basta seguir o dinheiro. Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, declarou que alguns políticos só pensam no dinheiro das empresas. Por outro lado, José Mujica, ex-presidente do Uruguai, disse que, se misturamos a vontade de ter dinheiro com a política, “estamos fritos”. Quem gosta muito de dinheiro tem de ser tirado da política e ir para o comércio, para a indústria, para onde se multiplica a riqueza. CorrupcaoPolitica

O problema do Brasil é essa comunicação entre as empresas e os políticos. Um banqueiro preso, recentemente, afirmou ter doado R$ 20,3 milhões para determinada legenda, R$ 10,9 para outra e R$ 10,9 para uma terceira; uma grande empreiteira doou R$ 975 mil para o instituto de um ex-presidente e R$ 3,9 milhões para o instituto do outro, e por aí vai. Isso não pode continuar assim.

É evidente que a necessidade de grandes volumes de dinheiro para as campanhas eleitorais representa um obstáculo aos candidatos e políticos honestos e uma fonte de corrupção para os desonestos e para as empresas que estão querendo comprá-los. A razão é simples: qual a fórmula para conseguir dinheiro para fazer campanha? O que é ser um candidato “bom o suficiente” para que empresas deem a ele dinheiro? Todo mundo sabe a resposta. Se há muito dinheiro em alguma campanha, é grande o risco de o motivo envolver crimes, falta de ética e compra de benesses ilícitas. É fato público e notório que a corrupção política irriga campanhas, partidos, pessoas, empresas, inclusive as de fachada, além de encarecer os custos da administração pública.

Infelizmente, há políticos, empresários e líderes (incluindo os religiosos) dispostos a participar da farra da corrupção. Não há Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário que resolva de forma definitiva este problema, se não mudarmos o sistema. A solução é radical, porém simples: proibir o uso de dinheiro em campanha política. Qualquer dificuldade que ela traga será muito menor que o dano da corrupção na política.

Quem consegue se eleger com dinheiro sujo não vai gostar da ideia, mas ela ajuda a limpar o País. O STF sinalizou o veto à doação de dinheiro de empresas, mas, mesmo assim, a Câmara dos Deputados colocou esse dispositivo na lei. A quem isso interessa? Todavia, impedir as doações de empresas não resolve. Nada impede que o banqueiro, o empreiteiro ou outro interessado doe dinheiro a seus “protegidos”. Vamos continuar a ter o caixa 2, os laranjas e o desespero para conseguir dinheiro para campanhas caríssimas.

A solução tem de ser radical: acabar com a corrupção no nascedouro, ou seja, no dinheiro para a campanha. Isso ajudará os honestos e trará obstáculo real para os bandidos.

Como, então, seria a campanha? O que seria permitido? O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV será patrocinado pelo TSE com os recursos advindos do Fundo Partidário, que deixaria de existir. Quem quiser ter partido, que o sustente. Não faz sentido o povo sustentar políticos nem partidos.

A mesma lei que impedirá gastos privados na campanha disporá sobre a divisão de tempo entre os partidos e candidatos, assim como cláusulas que garantam visibilidade a partidos ou candidatos “nanicos”, mas sem que tenham tempo incompatível com sua representatividade. A produção dos programas eleitorais deve seguir um padrão definido pelo TSE, que fornecerá os estúdios para gravação. O candidato apresentará suas ideias e projetos, com os quais terá de se comprometer sob pena de perda de mandato, mas sem nenhuma produção por marqueteiros (caros, por sinal), que conseguem mais enganar o eleitor do que contribuir para o progresso da democracia. O candidato poderá ter seu site e usar as redes sociais, onde apresentará suas opiniões e projetos de forma mais detalhada. O uso da internet será livre, desde que sem patrocínios pagos.

O que será proibido? Painéis, placas, carros de som, pinturas em muros, eventos com artistas, almoços, jantares, churrascos, festas, reuniões em que se distribua qualquer material ou se ofereça qualquer alimento, exceto água e cafezinho, quando se tratar de reunião em casa de eleitor. Ou seja, qualquer coisa que implique aplicação de recursos próprios ou de terceiros será proibida.

Entre os efeitos, teremos a redução da corrupção e a diminuição da influência do poder econômico para captar votos de eleitores alienados ou desinteressados. Os candidatos não serão conhecidos por campanhas como as que vendem xampu ou pasta dental, mas por suas ideias. Se votarem contra o programa e propostas que registrarem, perderão seu mandato. Outros efeitos benéficos serão diminuir a poluição visual e sonora das campanhas ricas e eliminar os pedidos de doações para a campanha eleitoral.

Os políticos honestos não terão a “concorrência desleal” do dinheiro da corrupção e os votos serão mais conscientes. Ser político se tornará um ofício que demandará esforço e proximidade maior do povo. Quem procura a política para enriquecer, para fazer acordos espúrios e desprezando o interesse público terá uma barreira real de entrada.

É possível que a maioria dos políticos eleitos no atual modelo não se entusiasme com esta proposta, mas a exigência de mudanças deve partir da sociedade que sofre os efeitos danosos da corrupção desenfreada propiciada pelo modelo existente. Eis a nossa proposta, para a qual contamos com o seu apoio, divulgando-a em suas respectivas redes sociais. Eis aí uma medida simples, firme e eficiente contra a corrupção.

* Rubens Teixeira é Analista do Banco Central, Doutor em Economia, com tese premiada no Prêmio Tesouro Nacional, Mestre em Energia Nuclear (IME), formado em Direito (aprovado na OAB/RJ), professor e escritor.

* William Douglas é juiz federal/RJ, titular de Vara Federal premiada por produtividade, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo, Mestre em Direito, professor e escritor.

Como a educação pode mudar a história de uma pessoa e de um país

 

A capacidade de escolha de uma sociedade é fortemente influenciada pelo seu nível educacional. Por essa e por outras razões, grandes potências valorizam seus professores, pois são esses profissionais, que ajudam as pessoas a ascenderem de nível social. Infelizmente, há uma desvalorização sistêmica dos professores no nosso país. Esses profissionais que têm necessidades básicas a serem supridas, além de precisar estar atualizados, comprar livros, estudar etc, historicamente não são valorizados condignamente. O efeito disso é o esforço excessivo para dar aula em vários lugares, faltando tempo para se preparar, o desgaste físico, a falta de recursos, a desmotivação, e a falta de incentivo para manter o nível de preparo em padrões elevados.

O resultado disso é por demais perverso para o país como um todo. Cidadãos com baixo nível cultural terão também baixo senso crítico e dificuldade de analisar temas sociais de maior complexidade que exigem vigilância permanente de seus representantes no poder. O baixo nível educacional produz outro péssimo efeito que emperra o desenvolvimento do país: um povo com baixo senso crítico não fará suas melhores escolhas políticas e será mais vulnerável às manipulações do seu pensamento. Não será capaz de avaliar o quão danoso é vender seu voto, ou mesmo alimentar a corrupção de autoridades policiais, ou tributárias, ou até mesmo tratar com naturalidade saques e outros atos de vandalismo etc.

Se cidadãos integrantes de uma nação não tiverem uma boa base educacional, depois de escolherem seus representantes sem consciência, esquecerão quem elegeram para representá-los e irão acusar a todos os que estiverem no poder, indiscriminadamente. A generalização é a maneira mais fácil de colocar a culpa nos outros e fugir de suas responsabilidades. Quando não há o discernimento, o cidadão sequer sabe a quem reivindicar seus direitos e, por isso, cobra de qualquer um e acusa a todos.

Precisamos estar atentos ao fato de que o Brasil é um país de muitas riquezas; é uma nação que tem tudo para ser uma grande potência mundial: recursos minerais, recursos humanos, destaca-se internacionalmente, possui diversas fontes de energia; mas só iremos ganhar espaço mais rapidamente à medida que nós brasileiros construirmos isso e retirarmos tudo que nos faz diferentes de uma potência. Não resta dúvida que ao se construir uma potência, seu alicerce é a educação. O nível cultural brasileiro o torna um país com baixa capacidade de produção tecnológica e nos leva a ser uma economia que exporta grandes volumes de commodities, que possuem baixo valor agregado.

Portanto, é um conjunto de coisas que levam a essa situação e, pior, quem sofre esses efeitos são exatamente as pessoas que mais carecem. Para o crescimento do Brasil, é preciso trabalhar para melhorar a qualidade de ensino. Não há como trilhar o caminho do desenvolvimento sem valorizar os professores, principalmente os que atuarão nas classes mais desfavorecidas da sociedade. Do contrário, estaremos perpetuando a desigualdade social e todas as mazelas associadas.

Pense nisso! Vamos mudar nosso país só nas eleições, ou desde já?

Como se eleger? Saiba o segredo

Lineu Edison Tomass*

Em 1988 o Roberto Requião era o prefeito de Curitiba, e no mês de novembro houve eleições para vereadores e para prefeito de Curitiba, ocasião em que fui indicado pelos cinco diretórios zonais do PMDB de Curitiba, com mais de 28 mil filiados, como secretário da campanha eleitoral do então candidato do PMDB a prefeito de Curitiba,  o deputado federal, Mauricio Fruet, de saudosa memória.

Mauricio Fruet, foi um personagem que se destacou no cenário da política do Paraná, pela sua popularidade e seu alto senso de humor.

Durante a campanha política e nas andanças pelos bairros de Curitiba,  o Mauricio fazia questão de sentar-se no carro,  na frente ao lado do motorista, pois assim sentia-se mais à vontade para acenar ao povo, quando então distribuía seu largo e sincero sorriso. Chorei no seu velório. Ele era o que se chama popularmente,“um figuraço”.

Nestas andanças, um dia, em esquina lá pelos lados do bairro Batel, um cidadão olhou para o Fruet, e  parece que ficou na dúvida se o reconhecia ou não.

Fruet, ficou matutando, tipo assim: “Ué, será que ele não me reconheceu”?

Em seguida olhou para trás e perguntou-me: “Lineu, o que será que leva um cidadão a decidir seu voto por um candidato”?

Respondi-lhe que esta pergunta era de difícil resposta e, entretanto fiquei inculcado com esta pergunta do Mauricio Fruet, passei a “bolar” uma resposta., e após mais de um ano de raciocínio e pesquisa nas planilhas dos resultados dos votos das eleições, notadamente proporcionais (vereadores e deputados), e usando o método do “geral para o particular”, consegui classificar o perfil dos candidatos eleitos, dos mais votados aos menos votados,  buscando um perfil de suas respectivas inserções sociais e nível de influência na decisão do voto do eleitor, de onde pude estabelecer uma tabela de nível de eleitos de 1ª. até 6ª. categoria, como chances de se ganhar a eleição, cuja tabela por ordem de importância pode ser assim classificada:

1ª. Categoria. Candidatos da Fama.

A primeira e maior chance  de eleição, está com os candidatos famosos na sociedade, que atuam na mídia do rádio ou televisão, onde se incluem atletas, comunicadores, cantores ou atores, desde que famosos junto ao povão e que detenham alta aprovação no índice de audiência de seus programas ou apresentações.

Aqui em Curitiba e no Paraná, temos diversos exemplos históricos de eleitos nesta categoria de comunicadores; Luiz Carlos Martins, Carlos Simões, Íris Simões, Algaci Túlio, Ratinho (o pai e o filho), Jocelito Canto, Marcelo Rangel (de Ponta Grossa), Alborgueti, Barbosa Neto e Belinati (de Londrina), e seguem tantos outros, sempre bem votados a exemplo do radialista “Pinga Fogo”, famoso em rádio no norte do Paraná, que se elegeu deputado federal. Renunciou seu mandato em grande estilo. No Plenário da Câmara Federal ele era mais um dos mais de 500 deputados federais.

No País tivemos exemplos clássicos de eleitos com tranqüilidade com o uso da fama, como o cantor Moacir Franco, que se elegeu deputado federal só uma vez  e se arrependeu amargamente da experiência.  Aguinaldo Timóteo também se elegeu e continua na política. Ficou famoso quando mandou um “tcháu” para sua mamãe em plena entrevista em Brasília.

2ª. Categoria. Candidatos da Grana.

Neste patamar está a turma que compra votos na eleição. É a turma da “grana” que se elege a peso de ouro. Esta categoria de candidato tem que ter muito dinheiro mesmo, pois o retorno do “investimento” em nível de votos ronda mais ou menos vinte por cento, ou seja; para cada cem votos comprados dá para contar com uns vinte votos na urna. Este jogo é pesado.

Alguns buscam preencher o espaço vazio de suas vidas, outros buscam proteção da lei (com a imunidade parlamentar), para postergarem condenação na justiça, até por sonegação fiscal e outros crimes graves.

Aqui em Curitiba, tivemos exemplos marcantes com uma candidata a vereadora (milionária), e um candidato irmão de outro milionário com alto poder de fogo no poder legislativo do Paraná, que sem trabalho nenhum junto ao eleitorado, elegeram-se com votação média, com altos investimentos em cabos eleitorais, larga folha de auxiliares (lideranças de bairros), e até presentes (relógios de parede), para as donas de casa com bonita mensagem, e muita reunião com a famosa “lingüiça de campanha”, de terceira qualidade e bem barata.

Acompanhei pessoalmente um caso destes. Um grande empresário de Curitiba (já falecido), se elegeu a deputado federal e desancou a gastar grana a granel na campanha. Tinha que se eleger para se livrar de processos em andamento na Justiça.

Durante a eleição, fui a uma igreja na região norte de Curitiba e levei um susto! Ao lado da Igreja tinha surgido uma construção enorme de um grande ginásio de esportes que nasceu da noite para o dia.  Perguntei aos amigos da região; “que milagre era aquele”?  A resposta foi curta e grossa. O líder da igreja tinha feito um acordo com o dito candidato para a comunidade votar nele em troca do ginásio!  E assim foi feito o acordo, cumprido por ambas as partes.

O candidato se elegeu foi para Brasília, nada fez pelo Paraná, e passou a ser protegido pela “imunidade parlamentar”, que era o que buscava para usar o cargo e negociar os impostos que devia para o Governo Federal e Estadual, sem ser processado, é óbvio que colocou seu voto na Câmara à disposição do Governo.

3ª. Categoria. Candidatos de Proposta Ideológica e Programática.

Neste patamar se encontram os candidatos que deveriam estar no 1º. Patamar, pois são os candidatos que acreditam em uma proposta política que é veiculada e propagada durante anos e anos. Demoram a convencer os eleitores já que seus nomes são construídos ao longo de anos. Perdem muita eleição até convencer o eleitor, pois a mídia pouco espaço lhes dá.

No Paraná tivemos exemplos nos nomes de ex-deputados federais, Alencar Furtado e Hélio Duque. O Requião é um típico exemplo, pois sempre vendeu a idéia da moralidade pública. No PT diversos nomes estão nesta categoria, tais como o deputado Rosinha, o Vanhoni e tantos outros.. No País incluímos o Lula que peregrinou pelo Brasil todo, até vencer a eleição para Presidente da República.

4ª. Categoria. Nome famoso.

Esta chance de se eleger é para poucos, pois exige que o candidato tenha um pai ou tio famoso e popular que possa transferir seu prestígio para o parente próximo, filho, irmão, neto ou sobrinho.

Em Curitiba o exemplo mais clássico é do Vereador Derosso, que dominou os votos do Alto Boqueirão por décadas, com bom trabalho,  até  que resolveu se aposentar e lançou o filho João Cláudio Derosso na sua sucessão. Muitos eleitores votaram no filho, pensando que votavam no pai, Derosso. O filho Cláudio se firmou e se consolidou.

O Beto Richa, prefeito de Curitiba, na sua primeira candidatura a vereador (foi 1º. Suplente), pegou carona no nome do pai, o ex-governador José Richa. Isto aconteceu com o Gustavo Fruet, (no prestígio do pai Maurício), com o Ratinho Junior (no prestígio do Pai Ratinho).

Há alguns casos de que o filho não emplacou, o que põe em dúvida  o poder de transferência do voto do pai, que embora famoso, não pode estar desgastado. Temos também que considerar que o “afilhado”, tem que corresponder durante a campanha a um mínimo do que espera o eleitor dele. Caso contrário, mesmo famoso o nome do pai, o “afilhado” poderá não chegar ao poder.

Em Curitiba, o filho do dono de uma rede de televisão não se elegeu a vereador.

5ª. Categoria. A Raridade do Milagre.

Quando acontece este fenômeno a eleição é favas contadas. É o chamado milagre ou fenômeno na eleição.

Em nosso Estado, dois casos merecem destaque na categoria “milagre”, e que provam a certeza deste ensaio.

Quando o prefeito Jaime Lerner (ARENA), em 1978 fez a reforma do centro de Curitiba, o Pedro Lauro, era dono de uma banca de revistas na Praça Tiradentes e perdeu a concessão.  O Pedro Lauro, inconformado, saiu por toda Curitiba, criticando a gestão de Lerner e, como era ano de eleição o pessoal do MDB, adversários ferrenhos de Lerner,  lançaram o Pedro Lauro, como candidato a deputado federal, dando-lhe o maior apoio de mídia.

Era o ano da virada contra a Ditadura Militar de 1964 que mandava no País, e não deu outra, o MDB teve tantos votos de legenda, a ponto do Sr. Pedro Lauro, se eleger com uns míseros 3.400 votos.   Pedro Lauro foi o candidato do “milagre”.

Outro exemplo foi o do Sr. Osvaldo Alencar Furtado, que era irmão do famoso deputado federal Alencar Furtado, que fazia uma dobrada com seu filho (candidato a deputado estadual) pelo PMDB em 1983, o jovem advogado Heitor Alencar Furtado, militante  do então clandestino PC do B, o qual foi assassinado no Norte do Paraná em plena campanha.

Heiitor, foi substituído na chapa do PMDB, pelo seu tio o Sr. Osvaldo Alencar Furtado, que se elegeu com expressiva votação nesta carona de um “milagre”, pela morte de  seu sobrinho.

6ª. Categoria. Candidatos do Rebolo.

Em último lugar se elegem os candidatos que possuem uma parcela de cada um dos itens acima, ou seja; possuem um pouco de fama pelo menos na sua inserção profissional, aparecem um pouco na mídia.

Possuem ou conseguem alguma grana para sustentar sua campanha política.

Conseguem se inserir de algum modo em movimento de caráter social, com proposta ideológica.

Possuem nome de família respeitável na comunidade.

Contam com uma ajuda quase milagrosa, como é o caso de um candidato que se filia em um partido de médio porte, sem candidatos de alta votação, e se elegem proporcionalmente com baixa votação, e assim chegam na disputa das últimas vagas, ou seja, ficam no “rebolo”, quando podem perder a vaga (morrer) por poucos votos. “Rebolo”, é uma caixa de madeira redonda, com tampa em cima, onde se colocam dois galos de briga que empataram, até que um seja morto.

Os demais candidatos que não se enquadram nestas categorias, seguramente serão classificados como suplentes, e seus votos só servem para ajudar os privilegiados candidatos encaixados nestes seis critérios.

É necessário registrar que os já eleitos e com mandatos, voltam sempre aos seus cargos, na proporção de 60% até 70% da composição de sua casa legislativa, pois estão em campanha permanente durante os quatro anos de sua legislatura.

Estas são as variáveis que dão a certeza de uma eleição em campanha política. É só guardar este artigo e conferir o resultado da próxima eleição.

Este ensaio esteve rascunhado na gaveta ao longo dezenove anos, tempo em que continuei a observar os demais resultados das eleições, e eles continuam balizando para estas seis variáveis de possibilidades de um candidato se eleger, num País que ainda tem 72% de sua população classificados como “analfabetos funcionais”, de acordo com os critérios das Nações Unidas.

Nossos políticos eleitos refletem a média cultural do nosso povo, o qual ainda vota com critérios de “desconstrução” do exercício da cidadania.

No momento é o que temos em nossa realidade como resultado de nosso estágio cultural, em fase de frágil democracia.

OBS: Este é um ensaio de sociologia política.

Fonte: https://lintomass.wordpress.com/o-segredo-como-se-eleger/

Lineu Edson Tomass é advogado e jornalista.