Rubens Teixeira

Blog Pessoal

Tivemos nesta quarta-feira, 4 de maio, a super quarta. Dia em que tivemos decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. 

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, elevou nesta quarta, 4 de maio, a taxa de juros americana em 0,5 ponto. Nosso BACEN elevou a nossa SELIC em 1 ponto. 

Com isso a taxa de juros americana passou para uma faixa entre 0,75% e 1% ao ano. A do Brasil passou para 12,75. Portanto, a dose de antibiótico é muito mais alta aqui. 

A inflação lá é alta, porém a nossa é pior. A queda do poder de compra lá ocorre, mas aqui é pior. Lá os pobres são prejudicados, aqui o número de pobres é muito maior e são mais prejudicados ainda.

Quando o banco central americano aumenta sua taxa de juros, há um fluxo de capitais para lá, mesmo que nossa taxa também tenha aumentado, porque os investidores se sentirão mais seguros lá, mesmo com menores remunerações. Isto por conta  das incertezas da economia internacional, e da nossa também. 

Aqui, como consequência, teremos uma pressão de mais desvalorização do real, o que também tem seu efeito inflacionário. Somado-se a isso, as tensões políticas, já presentes nos últimos anos, mas aumentada pelo período eleitoral, também contribui para a instabilidade econômica que propicia a inflação.

Como citei no artigo anterior, antes do aumento da taxa de juros desta ‘super quarta’, o Brasil já detinha a maior taxa de juros do mundo. O novo aumento só colocou nossos juros em patamares ainda maiores. 

Com a superdosagem de antibiótico (maior taxa de juros do mundo), associada a uma potente bactéria (uma das maiores inflações do mundo), estamos em um cenário perigoso de entrarmos em um coma chamado estagflação (alta Inflacao associada patamar elevado de desemprego), o que exigiria soluções emergenciais com consequências ainda mais perversas sobre a economia como um todo.

Uma dose brutal de antibiótico vai causar efeitos colaterais terrivelmente danosos, como desemprego, fome e desalento  em grandes proporções. 

Por esta razão, as decisões políticas não podem ser irresponsáveis, com foco apenas nas eleições. Devem ser considerados os efeitos que serão causados para a sociedade como um todo. O povo pagará o alto preço das consequências perversas decorrentes do tratamento para a recuperação da economia que está na UTI.  

Este artigo lhe foi útil? Caso queira conhecer as minhas propostas para o Brasil, leia o livro “Desatando o nó do Brasil”, que escrevi em coautoria com Henrique Forno e Márcio Araujo, com a participação de William Douglas. Ou siga-me nas redes e acompanhe minhas postagens (@rubensteixeiraoficial).